Dando continuidade ao Projeto “Diga não ao bullying, sim à Paz”, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Divina Pastora realizou no último dia 08 de agosto no clube junqueirense, a Palestra “Como impor limites à criança e ao adolescente”, tendo como convidado o promotor de justiça, Dr. Sitael Jones de Melo.
O evento contou com a participação de toda a comunidade escolar – gestores, coordenadores pedagógicos, alunos, professores e funcionários, além da presença fundamental dos pais. Também se fizeram presentes membros dos núcleos que compõem a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Junqueiro, cuja titular Senhora Estela Celina Barbosa, salientou a importância da presença dos pais e elogiou a iniciativa do projeto, momento em que se colocou à disposição de toda a comunidade escolar, demonstrando assim todo o seu interesse, juntamente com os seus colaboradores, em contribuir para o sucesso do projeto.
Em seu discurso de abertura, o gestor da escola, professor Luís Costa de Lima, também falou sobre a necessidade da participação dos pais no projeto educacional de seus filhos e da importância e urgência da discussão do tema da palestra. Disse ainda, que aquele era um momento de preocupação pedagógica e que a dispeito da dificuldade do processo, a escola tem empenhado no cumprimento do seu dever de promover a formação cidadã dos seus alunos.
Após apresentações culturais de teatro e dança de rua por alunos da escola e um grupo de adolescentes do município São Sebastião, respectivamente, o promotor de justiça, Dr. Sitael de Melo fez um breve comentário a respeito da importância da arte para o desenvolvimento saudável do jovem e em seguida iniciou sua explanação sobre o tema proposto pelo projeto, colocando-se à disposição para possíveis esclarecimentos, incentivando intervenções a fim de que pudesse haver interação entre os presentes.
Ao contextualizar o bullying, referiu-se à relativização da beleza e dos padrões estéticos, chamando à atenção para o fato de que o que nos distinguem socialmente são os nossos atos. Portanto, devemos ter noção do alcance e dos efeitos para o outro, daquilo que fazemos e dizemos. E sintetizou ao dizer que entende o bullying como a concretização explícita falta de respeito ao próximo, citando a família como base do respeito e esse como princípio básico para a boa convivência, e que a escola é a extensão dessa convivência.
O promotor ressaltou que, por haver uma diferenciação de personalidades entre os indivíduos, este respeito não pode ser impostos, mas que precisa vir da admiração do outro, levando ao desejo de reproduzir as ações e os valores que tipicam essa admiração, pois todo processo de crescimento e transformações que experimentamos, equilibra-se na dinâmica de se distinguir de alguns e se assemelhar a outros. Para o ser em formação da sua personalidade são os pais e os mestres as primeiras referências, daí a necessidade desses interagir entre a família e a escola.
Ao discutir o tema sob o ponto de vista jurídico, o Dr. Sitael de Melo, remete-se novamente ao papel da família, dizendo que a inconsequência é intrínseca ao comportamento do jovem, mas é preciso que se coloque limites nas suas ações e isto já deve ser iniciado na infância. Os pais precisam saber dizer “não” quando se faz necessário, deixando claro que algumas regras devem ser seguidas, pois têm como princípios a injustiça e o bem-estar de todos.
A ausência desses limites muitas vezes tem consequências jurídicas. Existe ainda uma ideia equivocada a respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente, pois de acordo com essa ideia ele foi elaborado apenas para proteger direitos. O equívoco está em que, à exceção da criança até os onze anos de idade, que tem garantido no Estatuto o direito de medidas de proteção, o adolescente por sua vez já pode responder criminalmente por atos que se quer crer impensados, por isto a imputação de medidas sócio-educativas e, em delitos mais graves, a internação como pena privativa de liberdade. No entanto, todas essas medidas visam à reeducação do jovem, reabilitando-o ao convívio na sociedade.
Para o Dr. Sitael o jovem traz em sua essência uma enorme capacidade de sonhar e a partir disto constrói a sua idealização do futuro. Muitas vezes a falta de uma boa estrutura familiar contribui para que os jovens desistam dos seus sonhos ou os tenham prejudicados. “Quando me vejo diante de um adolescente ou de um jovem que cometeu um delito, procuro avaliar por todos os prismas o que foi desviado no percurso do seu projeto de futuro; onde os pais ou responsáveis falharam – talvez até mesmo pela impossibilidade de uma melhor orientação –, e sinto grande tristeza quando em alguns casos só me resta pedir a pena de internação. Infelizmente... ou felizmente, a pena da lei é pesada quando deve ser pesada.” Conclui.
Texto: Rubenita de A. Lima
FOTOS DA PALESTRA
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